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Awon ohun enia dudu

Segunda-feira, Agosto 01, 2011

Agenda Negra Agosto 2011
























Luís Gama



AGENDA NEGRA



“O tempo não gosta que se faça nada sem Ele”.

Provérbio Yoruba – Nigéria – África



“A integração é, pois, um subterfúgio para manter a supremacia [...]”.

Stokely Carmichael



“Não tem sentido falar em integração quando falta a igualdade”.

Nathan Wright



Agosto:



1º - Independência de Benin, ex- Daomé, (1975).

02 – Independência da Jamaica (1962).

03 – Independência de Niger (1960).



      - Morre Magno Cruz (2010) militante do movimento negro, membro do CCN no Maranhão.

04 – José Barbosa da Silva, o popular cantor e compositor, “Sinhô”, morreu em 1930.

11 – Independência do Chade (1960).

16 – Morre Dorival Caymmi, cantor e compositor baiano, no Rio de Janeiro, em 2008.

      - Morre Adalberto Camargo, o ex-deputado federal negro por São Paulo durante 4 mandatos consecutivos, presidente  
        da câmara de comércio afro-brasileira e da Câmara de Comércio Indústria Brasil-Nigéria.

17 – Independência do Gabão (1960).

      - Nasce Candeia (Antonio Candeia Filho), compositor, cantor, instrumentista, fundador da Portela e da GRAN- Escola
        de Samba Quilombo, no Rio de Janeiro, em 1935.

23 – Nasce José Correia Leite, em 1901, co-fundador do Jornal “Clarim da Alvorada”, pioneiro da imprensa negra, em São
        Paulo.

24 – Morre Luís Gama, em 1882, na cidade de São Paulo. Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Consolação.



Você Sabia ? que:



. O “Massacre de Pidjiguiti”, onde a polícia portuguesa matou 50 marinheiros e estivadores e feriu mais 100 no cais de Bissau, durante as manifestações da greve por salários justos, foi o que precipitou a opção do PAIGC – Partido Africano de Independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde pela luta armada, em 03.08.1959.



. O tombamento do primeiro terreiro de candomblé, do Brasil, “Ilé Axé Iya Nasso Oka”, mais conhecido como Casa Branca, em Salvador, Bahia, em 1982.



. A prisão de Nelson Holihlahla Mandela, líder negro, membro do ANC na luta contra o apartheid, ocorreu no dia 04.08.1962.



. A Revolta dos Búzios (também conhecida como: dos Alfaiates ou Argolinhas) ocorreu entre os dias 16 e 25.08. 1798, na Bahia.



. O primeiro samba gravado, no Brasil, e registrado na Biblioteca Nacional, em 27.11.1916, é de autoria de Donga (Ernesto Joaquim dos Santos), compositor e instrumentista falecido em 25.08.1974.



.Fidel Castro, nascido 26 de agosto de 1926, em Birán, Cuba, foi um dos únicos socialistas a declarar publicamente, em 1978, no programa Conexão Internacional, que na sociedade socialista cubana dois problemas cruciais ainda não estavam resolvidos: 1 - o machismo , 2 – o racismo.






Chefe do Quilombo do Jabaquara e primeiro líder político negro de Santos. Nascido em 08 de junho de 1839, Quintino de Lacerda, foi o mais atuante agitador da abolição no litoral Paulista, garantindo abrigo a escravos fugitivos de toda a região do planalto, que aqui buscavam defesa.

O Quilombo do Jabaquara, na descrição de Silva Jardim, era verdadeiramente inexpugnável, defendido pelas encosta do morro do Jabaquara e com um único caminho de acesso permanentemente guardados pôr sentinelas de Quintino.

Em 1850 haviam 3.189 escravos em Santos, para uma população livre de 3.956 habitantes.

Não deixa de ser surpreendente que quinze anos depois já existia uma forte resistência organizada e que três meses antes da abolição do instituto da escravidão no Brasil, em Santos já não houvesse escravos. Tanto que dia 13 de maio de 1888 seguiram-se oito dias de festa populares, comícios, passeatas músicas e dança nas ruas.

Quintino de Lacerda, foi o centro das atenções e chegou a receber, em solenidade pública, um relógio de ouro, como um homenagem popular a seu mais querido líder abolicionista.

Com a abolição, o irrequieto Quintino lança-se à luta política, incorporando, pela primeira vez, os negros ao processo político na cidade. Organiza e comanda um batalhão na defesa contra uma possível invasão de tropas rebeldes interessadas em depor o Marechal Floriano Peixoto. Recebe, em reconhecimento, o título de Major Honorário da Guarda Nacional, em 1893.

Sua eleição para a Câmara municipal, em 1895, porém, faz eclodir uma grande crise política fomentada pêlos setores racista. Ela começa com a negação de sua posse como vereador.

A batalha judicial que se segue, chega aos tribunais paulistanos, e termina com a vitória de Quintino. Prevendo o desfecho em favor do líder negro, o presidente da Câmara, Manoel Maria Tourinho, renunciou ao mandato, seguido pelo vereador Alberto Veiga. O novo presidente José André do Sacramento Macuco, foi obrigado a empossar Quintino, mas renunciou também ao mandato, em seguida, declarando-se "enojado com o que via", segundo Francisco Martins dos Santos("Histórias de Santos").

Registra o mesmo Historiador que apenas um dos inimigos de Quintino permaneceu na Câmara, embora passasse a não mais comparecer às sessões, Olímpio Lima, diretor do jornal "A Tribuna do Povo".

As atividades da Câmara foram suspensas até 1º de junho, quando voltou a funcionar, sob a presidência interina do próprio Quintino.

No dia 9, os cargos vagos são preenchidos e, a 16, com base na Lei Eleitoral e devido às ausências em plenário, Quintino propõe e obtém, pôr unanimidade, a cassação de Olímpio Lima. O Jornalista, inconformado, voltou à Câmara a 12 de julho, tão logo foi empossado o novo presidente, Antônio Vieira de Figueiredo, mas foi solicitado a retirar-se, já que seu mandato fora cassado. Lima iniciou uma série violenta de ataques contra Quintino em seu jornal, e à própria Câmara, num processo que culminaria, pôr fim, com a revogação da Constituição Municipal autônoma , que fora em 15 de novembro de 1894 e durou menos de um ano.

Quintino de Lacerda morreu em 10 de agosto de 1898, deixando três filhos menores. Seu enterro foi acompanhado pôr um grande número de pessoas, um testemunho do reconhecimento de sua importância histórica.



Fonte: Historiadora de Santos Wilma Therezinha Fernandes de Andrade



Este resumo é parte do Trabalho Conclusão do Curso de Licenciatura Plena em História, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Santos da Universidade Católica de Santos.



Autora: Márcia Campelo.

Publicado no Diário Oficial do Município de Santos em 09 de julho de 1989





Literatura militante:



Ferro



primeiro o ferro marca

a violência nas costas

depois o ferro alisa

a vergonha nos cabelos

na verdade o que se precisa

é jogar o ferro fora

é quebrar todos os elos

dessa corrente

de desesperos.




Cuti. Negroesia (antologia poética). Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.

Resistência Negra



Não adianta vir

Com suas armas

Com seus cassetetes.



Não adianta vir

Com seu ódio



Vou te apresentar

A minha alma.

O aço da minha

Resistência



Vou plantar a raiz,

Da minha árvore,

No mais fundo

Da sua razão



Miltão do MNU

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